Após ler a matéria "MISTÉRIO NA PRAIA DO PICO DE MATINHOS" o Sr. Otávio Andreghetone, residente em Curitiba, entrou em contato com o Departamento de Cultura para dar uma sugestão de explicação para a gravação na pedra da praia de Matinhos, no momento encoberta pela areia, mas que em outras épocas fica visível, conforme a maré. Segundo ele, o avô de sua esposa, Sr. Joaquim Crisanto, foi pescador em Matinhos com carteira expedida pela Capitania dos Portos com atuação de 1928 a 1944. Seu filho, Darci Isabel dos Santos, hoje com 94 anos encontra-se residindo na Casa de Repouso para Idosos no Conjunto Cohapar II. Para Otávio o Sr. Joaquim Crisanto, que também era fandangueiro, pode ter gravado suas iniciais na pedra e o ano em que estava. Ainda fica o mistério para o que se encontra acima do JC 1934. Seria uma citação bíblica? A hora em que ele se encontrava? Teria sido mesmo arte do Sr. Joaquim? Vamos aguardar outras explicações ou até mesmo a elucidação desse grande mistério das pedras de Matinhos...
terça-feira, 10 de março de 2015
RECEITA DE PESCADOR: ENSOPADINHO DE MANDÍ COM PIRÃO
O MANDÍ:

A palavra mandi vem do
tupi mãdi'i e é o nome dado a diversos peixes de couro da
espéciepimelodus, como o mandi amarelo, o mandi chorão e o mandi tinga
encontrados em importantes bacias hidrográficas do nordeste, do sul e do
sudeste do Brasil, como a Bacia Amazônica, a do Araguaia-Tocantins, a do São
Francisco, a da Prata, no litoral do Paraná é muito comum em rios de água
escura como no Rio da Onça em Matinhos e fossos a beira da estrada
Alexandra-Matinhos onde podem ser encontrados nadando próximos ao fundo. Primo
menor dos grandes bagres como a pirara e o pintado, o mandi pode alcançar
até 40 cm de comprimento e pesar até 3 Kg. Alimenta-se de tudo, é
então onívoro, preferindo larvas de insetos, algas, moluscos, pequenos
peixes e fragmentos de vegetais. Sua carne é clara e de sabor muito suave.
RECEITA
Facílimo | de 4 a 6 Porções |
Uns 40 minutos
INGREDIENTES
·
2 ou 3 mandis de bom tamanho
·
4 tomates maduros, sem pele nem sementes,
picados
·
2 colheres de (sopa) de óleo
·
2 dentes de alho amassados
·
2 cebolas picadas
·
1 punhado de alfavaca e cheiro verde picados
·
Suco de 1 limão
·
Sal a gosto
·
Farinha de mandioca artesanal
Dica: Quer deixar o negócio
chique e mais irresistível ainda? Acrescente alguns camarões.
Você Vai Precisar
Duas panelas médias com tampa.
Um coador ou peneira.
PREPARO
“Conserte” (limpe) os mandis e lave-os bem,
por dentro e por fora. Tempere-os com o suco de limão, o sal e deixe tomar
gosto por uma meia hora.
Importante: Como com qualquer
bagre, tome cuidados com as esporas das nadadeiras dorsais e lombar do mandi na
hora de limpá-los. Estas esporas tem um serrilhado invertido que é fácil de
entrar e difícil de sai da pele, além de possuírem toxinas e bactérias que
causam muita dor caso você se machuque com elas.
Corte os peixes em postas e reserve as cabeças para fazer o
pirão.
Em uma panela aqueça o óleo e refogue a cebola e o alho.
Junte os tomates picados, a alfavaca e o cheiro verde e refogue mais um pouco.
Importante: Retire um pouco deste refogado e reserve para
usá-lo no cozimento das cabeças para o pirão. Preste atenção!
Quando os sabores do refogado forem liberados, coloque o
peixe e misture com cuidado.
Quando o peixe estiver começando a embranquecer, acrescente
um pouco de água, baixe o fogo, tampe a panela e deixe a coisa acontecer.
Enquanto o peixe cozinha, em
outra panela coloque as cabeças com um pouco do refogado que você reservou
anteriormente. Coloque água, acerte o sal e deixe cozinhar.
Bom, neste momento você tem
duas panelas no fogo, então preste atenção:
1. Verifique de
tempos em tempos se o peixe já está cozido, estando tudo beleza, desligue o
fogo e reserve.
2. Quando o cozido das
cabeças do mandi fizer um caldo saboroso, desligue o fogo, acerte o sal, se
você quiser acrescente aquela sua pimentinha e misture tudo. Coe o caldo e vá
juntando farinha de mandioca aos poucos até dar ao pirão uma consistência mole
e reserve.
Sirva o ensopadinho de mandi,
com o pirão á parte, acompanhado de um arroz branco fresquinho e uma saladinha
bacana.
segunda-feira, 9 de março de 2015
GRUPO DE TEATRO DE MATINHOS SE APRESENTA EM PARANAGUÁ
![]() |
| Foto: O TUBO |
A Cia Maré
Arte de Matinhos fez duas apresentações da peça ‘Agreste’ no Teatro Rachel
Costa, em Paranaguá. Trata de um romance de amor e fé no agreste pernambucano e
já foi premiada nas categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor
Atriz Coadjuvante no V Festpar (Festival de Teatro de Paranaguá). O texto adaptado
por Viviane Túlio conta a história do romance entre Etevaldo e Maria no agreste
pernambucano. Os dois se apaixonam e vivem seu amor à distância, por
meio de uma cerca. Após um
tempo, Maria consegue abrir um buraco na cerca e foge com Etevaldo. Após 22
anos em nova morada, a história do casal é marcada por uma ruptura. Em um mundo
de muita dor e comoção da comunidade acontece uma grande descoberta que
desperta o lado mais brutal do ser humano. A
Companhia de Teatro Maré
Arte foi criada com o objetivo de trazer para a comunidade litorânea
espetáculos profissionais produzidos em Matinhos, com alta qualidade artística
visando o desenvolvimento da arte e da cultura local e tem alcançado seus
objetivos com espetáculos realmente fascinantes trazendo orgulho a nossa cidade. A Classificação
indicativa desta peça, em particular, é de 14 anos.
Fica Técnica: Autor –
Newton Moreno; Adaptação do texto - Viviane Túlio; Direção – Alador de
Carvalho; Assistência de direção – Viviane Túlio; Figurino – Igor Soares;
Cenografia – Viviane Túlio; Iluminação, criação e Operação – Valéria Gomes;
Sonoplastia – Viviane Túlio e Alisson Santos; Vídeos: Lucas Dlop e Erick
Gonçalves; Produção – Danilo Marcondes; Arte Gráfica – Igor Soares; Operação de
som – Natália Vargas Lopes; Contra Regragem – Vinicius Eduardo Mesquita e
Eduardo Machado. Viviane
Túlio interpreta a Viúva; Igor Karuzo interpreta Etevaldo e padre; Letícia
Valérie interpreta a narradora 1; Rafaela Caetano interpreta a narradora 2 e
uma velha; Tainá reis é narradora e outra velha; Alaor de Carvalho interpreta o
delegado.
sexta-feira, 6 de março de 2015
NOME DO POSTO RODOVIÁRIO: QUEM FOI CESÁRIO AGOSTINHO DA SILVA
Filho de caboclos, Cezário Agostinho
da Silva nasceu em Guaratuba em 1932.
Ele era o quarto filho, de uma família com oito irmãos. Em situação de extrema
pobreza, viviam da pesca e moravam em um ranchinho feito de palha de sapé, de
chão batido e camas improvisadas, confeccionadas com pedaços de galhos trazidos
pela maré, cobertos por uma esteira, que servia de colchão.
Seu Cesário relatou certa vez que
“naquele tempo era difícil de viver”, principalmente porque o mundo estava em
plena Segunda Guerra Mundial. Sem comunicação, todos viviam com muito medo.
Alguns chefes de família chegavam a dormir fora de casa, por temerem ataques
noturnos.
Aos oito anos, Cesário ficou
órfão de pai e a situação ficou ainda mais complicada. Nessa ocasião, seu irmão
mais novo tinha apenas 23 dias. A vida continuou com muito esforço, com sua mãe
e seus irmãos vivendo exclusivamente da pesca.
MATINHOS, A ESPERANÇA DE UMA VIDA
MELHOR
Em 1946, com apenas 14 anos, Cesário
veio para Matinhos. Em seguida vieram seus irmãos, sua mãe e seu padrasto. A
princípio se hospedaram na residência de parentes. Meses após, passaram a morar
em uma pequena casa de madeira, cedida por Máximo da Silva Ramos, que se tornou
grande amigo da família.
Posteriormente, construíram um
rancho na Prainha, onde continuaram a lida, vivendo da prática pesqueira. Seu
Cesário sempre contava que no primeiro ano, a pesca foi ruim e deixando todos
desanimados com o lugar. Mas em 1949 houve abundância de peixes e resolveram se
fixar.
Durante todo o ano pescavam
variedade de tipos de peixe. Entretanto, a época dos melhores negócios era no
início do inverno, quando chegavam os cardumes de tainhas.
Sempre dedicado e trabalhador,
Cesário não recusava serviços. Em 1953, trabalhou na construção da ponte da
Prainha, obra que levou cerca de dois anos para ficar pronta.
A FAMÍLIA PASSOU POR DIFICULDADES
Aos 22 anos, Cesário conheceu
Maria de Lourdes Gomes Silva. Ela tinha apenas 14 anos e o encontro aconteceu
em um baile de carnaval, promovido pelos pais dela. Depois de algum tempo de
namoro, o casamento realizou-se em março de 1955. O casal teve seis filhos:
Maria Lúcia, Vanda, Marineide, Tânia, Nereu e Cézar.
Segundo relatos o casal
atravessou um momento de muita tristeza, quando Cezário teve varíola e precisou
ficar 30 dias deitado e enrolado em folhas de bananeiras. A febre era muito
alta deixando seu corpo em carne viva. Já em Dona Maria as “bexigas pretas” se
manifestaram em menor número. Mas como estava grávida de oito meses, a doença
atingiu a criança, que nasceu morta. Na época só puderam contar com a ajuda dos
amigos pescadores, que não deixaram sua família perecer.
MISSÃO: SALVA-VIDAS
No início de dezembro de 1959,
Cesário foi chamado pela Secretaria do Interior e Justiça (atual Secretaria de
Segurança Pública do Estado) para atuar como guarda-vidas. A indicação partiu
de seus colegas que já exerciam o cargo, por ser pescador destemido, conhecedor
do mar, ter porte físico e boa saúde. Nesta época, esses profissionais eram
subordinados ao delegado da Polícia Civil.
Cesário atendeu prontamente ao
convite, tornando-se o quarto guarda-vidas de Matinhos. Ele desempenhou a função
com comprometimento e presteza durante 17 anos onde realizou inúmeros casos de
salvamento. Como pescador enfrentava mar bravo. Mas como guarda-vidas o serviço
também era perigoso. Contudo, no tempo em que exerceu a função, durante seus
expedientes, não pereceu uma vida sequer. Sendo um triunfo que carregou para o
resto de sua vida.
Em 1979, passou a atuar na
Delegacia de Matinhos, como agente de segurança. Após dois anos, foi remanejado
para a Secretaria de Educação e Cultura, passando a prestar serviços no Colégio
Gabriel de Lara como inspetor e responsável pela manutenção da instituição.
AMOR PELA PESCA
Seu Cesário era exemplo nesta profissão
de quem travou uma luta diária com o mar em busca do pescado. Como ele sempre
dizia “Meu amor pela pesca começou desde que tinha apenas oito anos e precisava
ajudar minha mãe”.
Ele contava com orgulho que foi
contribuinte da Colônia dos Pescadores por aproximadamente 40 anos e relatava
vários fatos do tempo em que era pescador profissional. Com embarcação a remo,
saía cedo com seus colegas de profissão para alto-mar. Eles só voltavam após
várias horas em busca do produto do seu trabalho. Usavam uma vela confeccionada
com três mastros e uns 10 ou 12 sacos de farinha. Com o vento do oceano
soprando em direção à praia, ficava mais fácil direcionar o barco para o lugar
almejado, a necessidade da pressa se dava, principalmente, porque o pescado
precisava ser vendido no dia, pois não havia refrigeração.
Outro acontecimento que marcou a vida de Cesário foi uma
grande pesca realizada em 1968. No qual o cardume era tão grande que em uma só
‘redada’ capturaram quase sete mil tainhas. No final daquele dia, contaram um
total de 8200 peixes.
São muitas as histórias que foram
contadas por esse simpático pescador, amante do mar e dos serviços prestados à
comunidade de Matinhos.
Religioso, remetia a Deus tudo o
que conquistou. Como ele mesmo relatava emocionado, “Só tenho a agradecer às
pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida. Considero-me um homem rico,
porque tenho uma família unida e muitos amigos que fazem minha vida feliz”. Seu
Cesário Agostinho da Silva faleceu no dia 17 de Outubro de 2013 e está
sepultado no Cemitério Municipal de Matinhos.
Colaboração: Jornal da ACIMA - Associação Comercial e Industrial de Matinhos
Colaboração: Jornal da ACIMA - Associação Comercial e Industrial de Matinhos
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