terça-feira, 10 de março de 2015

SERIA UMA RESPOSTA PARA O MISTÉRIO?

Após ler a matéria "MISTÉRIO NA PRAIA DO PICO DE MATINHOS" o Sr. Otávio Andreghetone, residente em Curitiba, entrou em contato com o Departamento de Cultura  para dar uma sugestão de explicação para a gravação na pedra da praia de Matinhos, no momento encoberta pela areia, mas que em outras épocas fica visível, conforme a maré. Segundo ele, o avô de sua esposa, Sr. Joaquim Crisanto, foi pescador em Matinhos com carteira expedida pela Capitania dos Portos com atuação de 1928 a 1944. Seu filho, Darci Isabel dos Santos, hoje com 94 anos encontra-se residindo na Casa de Repouso para Idosos no Conjunto Cohapar II. Para Otávio o Sr. Joaquim Crisanto, que também era fandangueiro, pode ter gravado suas iniciais na pedra e o ano em que estava. Ainda fica o mistério para o que se encontra acima do JC 1934. Seria uma citação bíblica? A hora em que ele se encontrava? Teria sido mesmo arte do Sr. Joaquim? Vamos aguardar outras explicações ou até mesmo a elucidação desse grande mistério das pedras de Matinhos... 

RECEITA DE PESCADOR: ENSOPADINHO DE MANDÍ COM PIRÃO

O MANDÍ:


A palavra mandi vem do tupi mãdi'i e é o nome dado a diversos peixes de couro da espéciepimelodus, como o mandi amarelo, o mandi chorão e o mandi tinga encontrados em importantes bacias hidrográficas do nordeste, do sul e do sudeste do Brasil, como a Bacia Amazônica, a do Araguaia-Tocantins, a do São Francisco, a da Prata, no litoral do Paraná é muito comum em rios de água escura como no Rio da Onça em Matinhos e fossos a beira da estrada Alexandra-Matinhos onde podem ser encontrados nadando próximos ao fundo. Primo menor dos grandes bagres como a pirara e o pintado, o mandi pode alcançar até 40 cm de comprimento e pesar até 3 Kg. Alimenta-se de tudo, é então onívoro, preferindo larvas de insetos, algas, moluscos, pequenos peixes e fragmentos de vegetais. Sua carne é clara e de sabor muito suave.


RECEITA
Facílimo | de 4 a 6 Porções | Uns 40 minutos

INGREDIENTES

·         2 ou 3 mandis de bom tamanho
·         4 tomates maduros, sem pele nem sementes, picados
·         2 colheres de (sopa) de óleo
·         2 dentes de alho amassados
·         2 cebolas picadas
·         1 punhado de alfavaca e cheiro verde picados
·         Suco de 1 limão
·         Sal a gosto
·         Farinha de mandioca artesanal

Dica: Quer deixar o negócio chique e mais irresistível ainda? Acrescente alguns camarões.

Você Vai Precisar
Duas panelas médias com tampa.
Um coador ou peneira.


PREPARO
 “Conserte” (limpe) os mandis e lave-os bem, por dentro e por fora. Tempere-os com o suco de limão, o sal e deixe tomar gosto por uma meia hora.

Importante: Como com qualquer bagre, tome cuidados com as esporas das nadadeiras dorsais e lombar do mandi na hora de limpá-los. Estas esporas tem um serrilhado invertido que é fácil de entrar e difícil de sai da pele, além de possuírem toxinas e bactérias que causam muita dor caso você se machuque com elas.

Corte os peixes em postas e reserve as cabeças para fazer o pirão.
Em uma panela aqueça o óleo e refogue a cebola e o alho. Junte os tomates picados, a alfavaca e o cheiro verde e refogue mais um pouco.
Importante: Retire um pouco deste refogado e reserve para usá-lo no cozimento das cabeças para o pirão. Preste atenção!
Quando os sabores do refogado forem liberados, coloque o peixe e misture com cuidado.
Quando o peixe estiver começando a embranquecer, acrescente um pouco de água, baixe o fogo, tampe a panela e deixe a coisa acontecer.
Enquanto o peixe cozinha, em outra panela coloque as cabeças com um pouco do refogado que você reservou anteriormente. Coloque água, acerte o sal e deixe cozinhar.
Bom, neste momento você tem duas panelas no fogo, então preste atenção:
1.  Verifique de tempos em tempos se o peixe já está cozido, estando tudo beleza, desligue o fogo e reserve.
2. Quando o cozido das cabeças do mandi fizer um caldo saboroso, desligue o fogo, acerte o sal, se você quiser acrescente aquela sua pimentinha e misture tudo. Coe o caldo e vá juntando farinha de mandioca aos poucos até dar ao pirão uma consistência mole e reserve.
Sirva o ensopadinho de mandi, com o pirão á parte, acompanhado de um arroz branco fresquinho e uma saladinha bacana.




segunda-feira, 9 de março de 2015

GRUPO DE TEATRO DE MATINHOS SE APRESENTA EM PARANAGUÁ

Foto: O TUBO
A Cia Maré Arte de Matinhos fez duas apresentações da peça ‘Agreste’ no Teatro Rachel Costa, em Paranaguá. Trata de um romance de amor e fé no agreste pernambucano e já foi premiada nas categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante no V Festpar (Festival de Teatro de Paranaguá). O texto adaptado por Viviane Túlio conta a história do romance entre Etevaldo e Maria no agreste pernambucano. Os dois se apaixonam e vivem seu amor à distância, por meio de uma cerca. Após um tempo, Maria consegue abrir um buraco na cerca e foge com Etevaldo. Após 22 anos em nova morada, a história do casal é marcada por uma ruptura. Em um mundo de muita dor e comoção da comunidade acontece uma grande descoberta que desperta o lado mais brutal do ser humano. A Companhia de Teatro Maré Arte foi criada com o objetivo de trazer para a comunidade litorânea espetáculos profissionais produzidos em Matinhos, com alta qualidade artística visando o desenvolvimento da arte e da cultura local e tem alcançado seus objetivos com espetáculos realmente fascinantes trazendo orgulho a nossa cidade.  A Classificação indicativa desta peça, em particular, é de 14 anos.

Fica Técnica: Autor – Newton Moreno; Adaptação do texto - Viviane Túlio; Direção – Alador de Carvalho; Assistência de direção – Viviane Túlio; Figurino – Igor Soares; Cenografia – Viviane Túlio; Iluminação, criação e Operação – Valéria Gomes; Sonoplastia – Viviane Túlio e Alisson Santos; Vídeos: Lucas Dlop e Erick Gonçalves; Produção – Danilo Marcondes; Arte Gráfica – Igor Soares; Operação de som – Natália Vargas Lopes; Contra Regragem – Vinicius Eduardo Mesquita e Eduardo Machado. Viviane Túlio interpreta a Viúva; Igor Karuzo interpreta Etevaldo e padre; Letícia Valérie interpreta a narradora 1; Rafaela Caetano interpreta a narradora 2 e uma velha; Tainá reis é narradora e outra velha; Alaor de Carvalho interpreta o delegado. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

NOME DO POSTO RODOVIÁRIO: QUEM FOI CESÁRIO AGOSTINHO DA SILVA

Filho de caboclos, Cezário Agostinho da Silva nasceu em Guaratuba  em 1932. Ele era o quarto filho, de uma família com oito irmãos. Em situação de extrema pobreza, viviam da pesca e moravam em um ranchinho feito de palha de sapé, de chão batido e camas improvisadas, confeccionadas com pedaços de galhos trazidos pela maré, cobertos por uma esteira, que servia de colchão.
Seu Cesário relatou certa vez que “naquele tempo era difícil de viver”, principalmente porque o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial. Sem comunicação, todos viviam com muito medo. Alguns chefes de família chegavam a dormir fora de casa, por temerem ataques noturnos.
Aos oito anos, Cesário ficou órfão de pai e a situação ficou ainda mais complicada. Nessa ocasião, seu irmão mais novo tinha apenas 23 dias. A vida continuou com muito esforço, com sua mãe e seus irmãos vivendo exclusivamente da pesca.

MATINHOS, A ESPERANÇA DE UMA VIDA MELHOR
Em 1946, com apenas 14 anos, Cesário veio para Matinhos. Em seguida vieram seus irmãos, sua mãe e seu padrasto. A princípio se hospedaram na residência de parentes. Meses após, passaram a morar em uma pequena casa de madeira, cedida por Máximo da Silva Ramos, que se tornou grande amigo da família.
Posteriormente, construíram um rancho na Prainha, onde continuaram a lida, vivendo da prática pesqueira. Seu Cesário sempre contava que no primeiro ano, a pesca foi ruim e deixando todos desanimados com o lugar. Mas em 1949 houve abundância de peixes e resolveram se fixar.
Durante todo o ano pescavam variedade de tipos de peixe. Entretanto, a época dos melhores negócios era no início do inverno, quando chegavam os cardumes de tainhas.
Sempre dedicado e trabalhador, Cesário não recusava serviços. Em 1953, trabalhou na construção da ponte da Prainha, obra que levou cerca de dois anos para ficar pronta.

A FAMÍLIA PASSOU POR DIFICULDADES
Aos 22 anos, Cesário conheceu Maria de Lourdes Gomes Silva. Ela tinha apenas 14 anos e o encontro aconteceu em um baile de carnaval, promovido pelos pais dela. Depois de algum tempo de namoro, o casamento realizou-se em março de 1955. O casal teve seis filhos: Maria Lúcia, Vanda, Marineide, Tânia, Nereu e Cézar.
Segundo relatos o casal atravessou um momento de muita tristeza, quando Cezário teve varíola e precisou ficar 30 dias deitado e enrolado em folhas de bananeiras. A febre era muito alta deixando seu corpo em carne viva. Já em Dona Maria as “bexigas pretas” se manifestaram em menor número. Mas como estava grávida de oito meses, a doença atingiu a criança, que nasceu morta. Na época só puderam contar com a ajuda dos amigos pescadores, que não deixaram sua família perecer.

MISSÃO: SALVA-VIDAS
No início de dezembro de 1959, Cesário foi chamado pela Secretaria do Interior e Justiça (atual Secretaria de Segurança Pública do Estado) para atuar como guarda-vidas. A indicação partiu de seus colegas que já exerciam o cargo, por ser pescador destemido, conhecedor do mar, ter porte físico e boa saúde. Nesta época, esses profissionais eram subordinados ao delegado da Polícia Civil.
Cesário atendeu prontamente ao convite, tornando-se o quarto guarda-vidas de Matinhos. Ele desempenhou a função com comprometimento e presteza durante 17 anos onde realizou inúmeros casos de salvamento. Como pescador enfrentava mar bravo. Mas como guarda-vidas o serviço também era perigoso. Contudo, no tempo em que exerceu a função, durante seus expedientes, não pereceu uma vida sequer. Sendo um triunfo que carregou para o resto de sua vida.
Em 1979, passou a atuar na Delegacia de Matinhos, como agente de segurança. Após dois anos, foi remanejado para a Secretaria de Educação e Cultura, passando a prestar serviços no Colégio Gabriel de Lara como inspetor e responsável pela manutenção da instituição.

AMOR PELA PESCA
Seu Cesário era exemplo nesta profissão de quem travou uma luta diária com o mar em busca do pescado. Como ele sempre dizia “Meu amor pela pesca começou desde que tinha apenas oito anos e precisava ajudar minha mãe”.
Ele contava com orgulho que foi contribuinte da Colônia dos Pescadores por aproximadamente 40 anos e relatava vários fatos do tempo em que era pescador profissional. Com embarcação a remo, saía cedo com seus colegas de profissão para alto-mar. Eles só voltavam após várias horas em busca do produto do seu trabalho. Usavam uma vela confeccionada com três mastros e uns 10 ou 12 sacos de farinha. Com o vento do oceano soprando em direção à praia, ficava mais fácil direcionar o barco para o lugar almejado, a necessidade da pressa se dava, principalmente, porque o pescado precisava ser vendido no dia, pois não havia refrigeração.
Outro acontecimento que marcou a vida de Cesário foi uma grande pesca realizada em 1968. No qual o cardume era tão grande que em uma só ‘redada’ capturaram quase sete mil tainhas. No final daquele dia, contaram um total de 8200 peixes.
São muitas as histórias que foram contadas por esse simpático pescador, amante do mar e dos serviços prestados à comunidade de Matinhos.

Religioso, remetia a Deus tudo o que conquistou. Como ele mesmo relatava emocionado, “Só tenho a agradecer às pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida. Considero-me um homem rico, porque tenho uma família unida e muitos amigos que fazem minha vida feliz”. Seu Cesário Agostinho da Silva faleceu no dia 17 de Outubro de 2013 e está sepultado no Cemitério Municipal de Matinhos.

Colaboração: Jornal da ACIMA - Associação Comercial e Industrial de Matinhos
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